Horne
disse que estava disposto à própria fome para persuadir o governo britânico a
realizar um inquérito público sobre testes em animais – algo que o Partido
Trabalhista tinha prometido mas não conseguiu fazer quando atingiu o poder, em
1997. Quando morreu aos 49 anos de idade, Horne não comia há 15 dias, mas já
estava enfraquecido por greves de fome que tinha feito anteriormente, sendo que
a mais longa ocorreu em 1998, quando Horne passou 68 dias sem comer, o que
danificou sua capacidade visual e renal.
A
reação da mídia à sua morte foi hostil, em especial no Reino Unido, onde foi
largamente descrito como um "terrorista". Dentro do movimento dos
direitos dos animais, não só no Reino Unido como ao redor do mundo, ele
continua a ser encarado como uma inspiração e um mártir.
Ativimo
Precoce
Um refuse collector (profissão sem tradução para o
português – é algo como engenheiro sanitário, alguém que planeja ou faz
pessoalmente o recolhimento ou a retirada de resíduos de embalagens para mandá-los
para a reciclagem ou aterro, parecido com um gari), Horne interessou-se pelos
direitos dos animais com 35 anos, quando sua segunda mulher, Aileen, o persuadiu
a assistir uma assembléia de libertação animal. Depois de ver vídeos de testes
feitos em animais, ele decidiu se tornar vegetariano e um sabotador de caças. Horne
tornou-se ativo durante a primavera de 1987, no Northampton Animal Concern, que
organizou uma incursão em um laboratório da Unilever e piquetes em frente à
Beatties, uma loja de departamentos que vendia casacos de peles.
Ativismo na A.L.F.
(Animal Liberation Front, ou Frente de Libertação Animal) e na A.R.M. (Animal
Rights Militia, ou Milícia dos Direitos dos Animais)
Rocky, o golfinho
Horne começou a chamar a atenção pública em 1988, quando tentou salvar Rocky, um roaz corvineiro (uma das
mais comuns e conhecidas espécies de golfinho) capturado em 1971 em uma região
no oeste do estado americano da Flórida, a Florida Panhandle. O golfinho foi
mantido durante 20 anos – sozinho, durante a maior parte do tempo - em uma
pequena piscina de concreto na Marineland, uma parte do Resort Urbano conhecido
como Morecambe (esse resort fica na cidade de Lancaster, no distrito de
Lancashire, na Inglaterra).
Horne, juntamente com outros quatro
militantes, planejou mover Rocky, que pesava
aproximadamente 113 quilos, a
partir da piscina para o mar, usando uma escada de mão, uma rede, uma maca feita
em casa e um Mini Metro (um minicarro) alugado.
Horne e seus amigos já tinham visitado o
aquário dos golfinhos - o golfinário - secretamente à noite, ocasião em que entraram
na piscina com o golfinho em um esforço para conhecê-lo. No entanto, na noite
da ação, quando chegaram à piscina com o seu equipamento, eles perceberam que a
logística da operação estava além da sua capacidade, e saíram do local sem Rocky.
Uma viatura da polícia parou-os no caminho de volta para o carro, que continha
uma grande maca para golfinhos para a qual, conforme um dos próprios ativistas
disse, "nós não tínhamos nenhuma explicação legítima." Depois de cinco
dias de julgamento, eles foram condenados por conspiração para roubar o animal.
Barry Horne, Jim O'Donnell, Mel Broughton, e Jim Buckner foram multados em
Horne e os outros continuaram em sua missão de libertar Rocky, e em 1989
lançaram a Campanha Golfinário Morecambe, fazendo piquetes no golfinário,
entregando panfletos aos turistas, e organizando comícios e lobbies na câmara
municipal. Depois de parar de ganhar dinheiro com a venda de entradas, a gestão
de Marineland finalmente concordou em vender o golfinho por
Peter Hughes, da Universidade de Sunderland, cita a campanha de Horne como um
exemplo de como promover uma campanha sobre direitos dos animais criando uma
mudança paradigmática de perspectivas no Reino Unido, no sentido de que os golfinhos,
após a campanha de Horne, passaram a ser vistos como "atores
individuais" que devem ser vistos em seu ambiente selvagem pelos turistas
que querem interagir com eles. Como resultado, escreve Hughes, agora não
existem mais golfinhos em cativeiro no Reino Unido.
Invasão na Harlan
Interfauna
Juntamente com Keith Mann e Danny Attwood, Horne foi parte de uma
pequena célula
da A.L.F. que invadiu a Harlan Interfauna - uma empresa
britânica de Cambridge que fornece animais e órgãos de laboratório - em 17 de
março de 1990. Os ativistas entraram na unidade animal da Interfauna através de
furos no telhado vazado, removendo 82 cães da raça Beagle e 26 coelhos. Eles
também retiraram documentos que listavam os nomes dos clientes da Interfauna,
entre os quais estavam a Boots (Boots Company PLC, cadeia de farmácias presente
em todo o Reino Unido), a Glaxo (GlaxoSmithKline plc, compania farmacêutica,
biológica e de cuidados com a saúde em geral), a
Beechams (outra compania farmacêutica), o Centro de Investigação de Huntingdon
(empresa contratada para realizar testes em animais), bem como uma série de
universidades.
Um veterinário que apoiava a A.L.F. removeu tatuagens que os cães resgatados traziam nas orelhas, e eles foram espalhados por novas casas em todo o Reino Unido. A partir de indícios encontrados no local invadido e nas casas dos ativistas, Mann e Attwood foram condenados por conspiração para assalto, e em seguida condenados a nove e a dezoito meses, respectivamente.
Invasão no Exter College
Horne integrou um grupo de manifestantes que atacou uma
Conferência sobre Pesquisa m Animais, realizada no Exeter College,
A atitude de Horne pareceu endurecer na prisão. Em junho de 1993, ele escreveu
no Support Animal Rights Prisoners Newsletter:
“Os animais continuam a morrer e as
torturas passam a ser maiores e a acontecer em maior escala. As pessoas reagem
a esta situação? Mais hambúrgueres vegetarianos, mais Special Brew[1]
e mais apatia. Já não há nenhum Movimento de Liberação Animal. Eles morreram há
muito tempo. Tudo o que restou são muito poucos ativistas que se importam, que
entendem e que agem... Se você não agir, então você tolera. Se você não luta,
então você não ganha. E se você não ganha, então você é responsável pela morte
e pelo sofrimento, que vai aumentar e aumentar.”
Firebombing[2]
e detenção
De
acordo com relatos, após sua libertação em 1994 Horne começou a trabalhar como
uma célula humana clandestina. Keith Mann escreveu que a natureza do interesse
policial em ativistas dos direitos dos animais era de tal ordem que trabalhar
sozinho era mais seguro e, de qualquer maneira, Horne era um homem reservado,
feliz em sair sozinho e fazer coisas, feliz por ser ele mesmo a colocá-las.
Uma série de ataques noturnos de firebombs usando dispositivos incendiários de
fabricação caseira ocorreram ao longo dos dois anos seguintes em Oxford,
Cambridge, York, Harrogate, Londres, Bristol, bem como em Newport e Ryde,
localidades da ilha inglesa “Isle of Wight”. Os ataques tinham como alvo filiais
da Boots, da Halfords, bem como lojas que vendiam produtos de couro e lojas beneficentes
em prol de pesquisas sobre o câncer. Alguns dos ataques foram reivindicados pela
A.R.M., que abrigava ativistas menos dispostos a respeitar a política de
não-violência da A.L.F.
Mann escreve que não era necessário ser um gênio para deduzir que Horne tinha
algo a ver com os ataques. Isso porque pouquíssimos ativistas concordavam com a
implantação de dispositivos incendiários, e Horne era conhecido por ser um
daqueles extremamente dedicados que o faria. Os policiais foram, portanto,
observando-o de perto. De acordo com Mann, Horne sabia que seria capturado, mas
ele viu o ativismo dos direitos dos animais como uma grande guerra, e ele
estava disposto a se tornar uma baixa.
Horne acabou sendo preso em julho de 1996 após plantar dois dispositivos
incendiários no Shopping Broadmead, em Bristol – o primeiro em uma loja de caridade
e o segundo na British Home Stores - ambos programados para explodir a
meia-noite. A Polícia encontrou outros quatro dispositivos em seu bolso.
18 anos de pena
O
julgamento de Horne por incêndio culposo começou seis semanas após o final da
segunda greve de fome, no dia 12 de novembro de 1997, na Corte Judicial de
Bristol. Ele se confessou culpado quanto aos dispositivos plantados em Bristol,
mas negou envolvimento nos ataques ocorridos na ilha de Wight. Apesar de não
haver qualquer evidência direta que ligasse Horne com os incidentes na ilha, a
acusação alegou que os dispositivos utilizados com sucesso em Bristol e na Ilha
de Wight eram tão semelhantes que Horne deveria ser considerado como responsável
pela autoria de ambos. Ele foi identificado em outras 14 manifestações, mas não
respondeu por nada em nenhuma delas.
Embora o tribunal admitisse que Horne não tencionava matar ou ferir alguém, o
Juiz Darwall-Simon Smith descreveu-o como um "terrorista urbano" e,
em 5 de dezembro de 1997, proferiu uma sentença que condenava Horne a 18 anos
de pena, a mais longa já dada a qualquer ativista dos direitos animais.
Graças à semelhança entre os dispositivos utilizados em Bristol e na Ilha de
Wight, Horne também foi acusado de causar prejuízos estimados em 3 milhões de
libras (aproximadamente R$ 11.424.560,00) destruindo um ramo das farmácias
Boots, em Newport, no ano de 1994, porque a empresa testava seus produtos
Greves da fome
Primeira: 35 dias
Em 6 de janeiro de 1997, depois de estar preso já há seis meses pelos ataques
com os dispositivos incendiários como um prisioneiro de categoria A, Horne
anunciou que iria recusar todo alimento ao menos que o governo conservador de John
Major se comprometesse a retirar o seu apoio à experimentação animal em um
prazo de cinco anos. Como o partido trabalhista foi apontado como provável vencedor
das eleições que se aproximavam – e que foram realizadas em maio de 1997 -,
Horne terminou sua ação no dia 09 de fevereiro, após 35 dias sem comida, quando
Elliot Morley, então porta-voz do partido trabalhista sobre o bem-estar dos
animais, escreveu que "o partido trabalhista está empenhado em reduzir, e em
eventualmente por fim, a vivisseção."
A greve de fome deflagrou um aumento nas ações ativistas em prol dos direitos
dos animais, incluindo: a remoção de gatos da fazenda Grove Hill, em Oxfordshire,
que criava gatos para laboratórios; danos ao Centro Harlan de criação de
animais e remoção de cães beagle do Canil Consort; a destruição de sete caminhões
da granja Buxted em Northamptonshire; um bloqueio do porto de Dover e pesados
danos a um McDonalds da cidade; e a remoção de coelhos que eram criados para
vivisseção na Homestead Farm.
Segunda: 46 dias
A segunda greve de fome teve início no dia 11 de agosto de 1997. O objetivo de Horne
era fazer com que o novo governo trabalhista retirasse todas as licenças de
experimentação animal dentro de um período de tempo a ser estipulado. Houve um
outro aumento no número de ações ativistas, apoiando-o. Em 12 de setembro de
1997, protestos foram realizados em Londres e Southampton, no Reino Unido, em
Haia, em Cleveland, Ohio, e na Universidade Umeå, na Suécia, onde ativistas
tentaram atacar os laboratórios da universidade. Quatrocentas pessoas marcharam
na Fazenda Shamrock, uma instalação que
abrigava primatas perto de Brighton, trezentas no Laboratório Wickham, uma instalação experimental, e
foram feitos piquetes nos escritórios do Partido Trabalhista, bem como na casa
de Jack Straw, o Secretário de Estado. Ativistas montaram acampamento em frente
ao Huntingdon Life Sciences na A1, em
Cambridgeshire, cavando túneis subterrâneos para dificultar seu despejo. O Newchurch Guinea Pig Farm foi invadido
em setembro e 600 cobaias foram removidas.
Horne terminou a greve de fome em 26 de setembro, após 46 dias sem comer,
quando Lord Williams de Mostyn, então ministro do Home Office e mais tarde
procurador-geral, entrou em contato com os partidários de Horne e propôs fazer negociações
entre eles e o governo. Esta foi a primeira vez que um membro do governo
concordou oficialmente em falar com o movimento de libertação animal, o que foi
visto por Horne e seus partidários como um importante passo a diante.
Terceira: 68 dias
A demanda de Horne e as negociações com o governo
A mais longa greve de fome de Horne começou em 6 de outubro de
1998 e terminou 68 dias mais tarde, no dia 13 de dezembro. Ela trouxe a questão
da experimentação animal para o primeiro plano da política britânica, enquanto
a deterioração da condição física de Horne virou assunto para manchetes por
todo o mundo, a medida em que ativistas diziam que as divisões também deveriam
morrer, lançando ameaças de morte contra vários cientistas.
Desta vez, as exigências de Horne eram extensas e específicas. Ele exigiu o fim
da concessão de licenças que autorizavam experiências em animais, e a não
renovação das licenças em curso; a proibição de toda vivisseção feita com
finalidades não-médicas; um compromisso para acabar com todas as vivisseções em
6 de janeiro de 2002; um fim imediato em toda experimentação animal na
instituição de defesa
Ele emitiu uma declaração, que continua a ser citada pelo movimento como um
grito mobilizador:
A luta não é para nós, nem para os nossos desejos e necessidades pessoais. É
para cada animal que tenha alguma vez sofrido e morrido nos laboratórios de vivisseção,
e para cada animal que vai sofrer e morrer nesses mesmos laboratórios a menos que
nós terminemos com esse negócio diabólico agora. As almas dos mortos torturados
clamam por justiça, o grito da vida é pela liberdade. Nós podemos criar essa
justiça e nós podemos entregar essa liberdade. Os animais não têm ninguém, apenas
nós. Nós não vamos desapontá-los.
Keith Mann escreve que, desta vez, Horne achou a greve de fome mais rígida,
talvez por causa dos danos físicos causados pelas duas primeiras. Ele estava na
ala D na prisão de Full Sutton inicialmente,
e depois, no décimo dia sem comer, foi deslocado para a ala hospitalar, onde ele
foi, conforme relatado, colocado na "cela greve da fome", sem WC ou
lavatório, com apenas uma cadeira e uma mesa de papelão. Ele foi transferido
para uma cela normal após pressão dos seus defensores. Ele leu a extremunção no
quadragésimo terceiro dia, depois de ter perdido 25 por cento de sua gordura
corporal.
O governo trabalhista recusou-se a ceder publicamente àquilo que chamou de chantagem
e disse que não iria negociar com Horne ou seus partidários, mas reservadamente
manteve conversações com eles. O membro do parlamento Tony Clarke, visitou Barry
na prisão no dia 12 de novembro para negociar um outro encontro entre os partidários
de Horne e o Home Office, que aconteceu dia 19 de novembro, depois de 44 dias
de greve. Após a reunião, Horne divulgou uma declaração dizendo que nada de
novo havia sido oferecido, e que sua greve de fome iria continuar. Ele então
reduziu suas exigências pedindo uma Comissão Real sobre a experimentação
animal, que o Partido Trabalhista tinha dito que constituiria se fosse eleito.
No 46º dia de greve ele foi transferido para o General Hospital de York,
sofrendo de desidratação depois de ter passado a semana vomitando. Até o 52º
dia, conforme relatado, ele sofreu várias dores, encontrava problemas para
enxergar, e corria perigo de entrar
Ativismo em
apoio ao Horne
Houve uma resposta internacional de ativistas, em apoio a Horne. Em York e
Londres protestantes fizeram vigília do lado se fora do Hospital, e em frente à
Casa do Parlamento em Westminster segurando velas,
cartazes e fotografias de Horne. Às vezes, ao grupo se juntava Alan Clark, um
membro “exibicionista” do parlamento, integrante do partido conservador e
defensor dos direitos dos animais, o único membro do parlamento a oferecer ao
movimento algum apoio público durante o protesto.
Em 24 de novembro, na cerimônia pública de abertura do Parlamento, ativistas
soltaram um banner de apoio a Horne em frente ao carro oficial da Rainha,
enquanto este a levava para dentro da Casa do Parlamento. Pouco depois, dois
ativistas estacionaram um carro no final da Downing Street, cortaram os pneus e,
utilizando D-locks para amarrarem a si próprios pelo pescoço ao volante,
enquanto manifestantes protestavam nas proximidades.
Ativistas marcharam nos laboratórios BIBRA no sudoeste de Londres e
Ameaças de Morte
Quando a morte de Horne parecia provável, a A.R.M. emitiu uma declaração
através de Robin Webb, do Animal Liberation Press Office, ameaçando assassinar
quatro cientistas cujos nomes foram divulgados e outros seis que não foram
nomeados, caso Horne morresse.
Os alvos mencionados foram Colin Blakemore, um cientista britânico que estudava
a visão; Clive Page, do King's College de Londres, um professor de farmacologia
pulmonar e presidente do Grupo de Ciência Animal da Federação Britânica de
Biociência; Mark Matfield, da Research
Defense Society; e Christopher Brown, proprietário da Fazenda Hillgrove, em
Oxfordshire, que estava criando gatinhos para laboratórios.
Para aqueles cujos nomes estavam na lista da A.R.M. foi dada imediata proteção
policial que, em alguns casos, durou anos. O professor Clive Page disse à BBC
que ele estava na Itália quando ouviu o seu nome na lista. Ele teve de
regressar a casa para explicar a situação à sua família. "É difícil dizer
aos nossos filhos: o papai vai ser assassinado'", disse ele. A polícia
instalou escutas telefônicas em sua casa ligando-as diretamente à Special
Branch[3],
ele foi aconselhado a fazer todos os dias rotas diferentes para ir ao trabalho,
e ele teve que falar com as escolas dos seus filhos sobre a possibilidade de
rapto. "Fiquei chocado que as pessoas deste país fariam isso contra alguém
que está trabalhando efetivamente para tentar compreender as doenças humanas",
disse ele.
A Special Branch também reforçou a vigilância a militantes e, em especial, a
Robin Webb.
Robin Webb e o Canal 4
Enquanto Horne se aproximava de seu sexagésimo dia sem
alimentação, cenas de um filme lançado por uma produtora independente foram
mostradas no programa Dispatches do
Channel 4. Os produtores do filme filmaram secretamente Robin Webb marcando
encontros com um indivíduo que disse a Webb que queria organizar um bombardeio,
mas que na verdade trabalhava secretamente para a equipe de produção. Na
filmagem, Webb apareceu oferecendo conselhos sobre como fazer uma bomba. Quando
o Canal 4 exibiu o documentário, Webb dispôs-se a discutir a violenta ação causada
pela Frente de Libertação Animal, por ser firmemente ligado na mente do público
com a Milícia dos direitos dos animais (A.R.M.).
Levado de volta à prisão
Perto do 63º dia, Mann escreve que Horne ficou surdo de um ouvido,
cego de um olho, seu fígado estava morrendo, e ele estava sofrendo de dores
consideráveis. Uma reunião foi marcada pelos seus partidários no 66º dia, a
tarde, para mostrar-lhe documentos enviados por fax pelo Home Office[4],
relativos a possíveis ofertas que o governo estava disposto a fazer. Como ele
estava muito perto da morte foi combinado que, se houvesse algum conteúdo
substancial entre todas as ofertas, mesmo que remotamente, Horne poria fim à greve.
Cedo, na manhã de 10 de dezembro de 1998(o 66º dia), sem qualquer aviso prévio
aos seus partidários ou familiares, Horne foi transferido do hospital de volta
para a prisão de Full Sutton. O Home Office explicou que, uma vez que ele se
recusava a aceitar tratamento, não havia necessidade de mantê-lo no hospital.
Mann escreve que ele tinha alucinações e não conseguia mais se lembrar por que
estava em greve de fome.
Fim da greve de fome
Existem duas versões sobre o porquê de Horne ter terminado a greve
de fome. Mann escreve que Horne calou-se sem explicações dois dias depois de
ser transferido de volta para a prisão, e foi rapidamente devolvido ao hospital.
Seus amigos suspeitavam que algo aconteceu com ele durante os dois dias em que
esteve de volta a Full Sutton, fora de contato com eles. Mann escreve: "O
que quer que tenha acontecido com ele entre a saída do hospital e o retorno à
prisão talvez nunca seja descoberto, mas todos aqueles próximos a ele
suspeitavam que algo aconteceu, depois do que ele nunca foi o mesmo
novamente."
A mídia informou que um membro do parlamento filiado ao partido trabalhista,
arranjado por Michael Banner, o presidente da Comissão de Procedimentos em
Animais (Animal Procedures Committee)
concordou em estar presente em uma reunião com Ian Cawsey, o cabeça do Grupo
Parlamentar Multipartidário sobre o Bem-Estar Animal, para discutir as práticas
na experimentação animal no Reino Unido. Isto teria sido interpretado por Horne
como uma concessão por parte do governo, e ele concordou em voltar a comer
novamente em 13 de dezembro de 1998.
A resposta da mídia britânica ao final da greve de fome foi hostil. Os jornais
focalizaram o período
Morte
Horne não recuperou sua condição física ou, ao que parece, sua saúde mental.
Mann escreveu que ele continuou a fazer inúmeras greves de fome na prisão, sem
qualquer estratégia coesa e com pouco apoio. A coisa chegou a um ponto, disse
Mann, em que ninguém exceto os guardas sabia se ele estava comendo ou não. Ele
morreu de insuficiência hepática em 5 de novembro de 2001, dentro de 15 dias depois
de iniciar sua última greve da fome.
A reação hostil da mídia continuou após a sua morte. Kevin Toolis escreveu no The Guardian: "Na vida ele foi um
ninguém, um gari fracassado que virou firebomber. Mas
Ele foi enterrado em sua cidade-natal, Northampton, sob um carvalho em um
bosque no cemitério, vestindo uma camisa do time de futebol da cidade de
Northampton. Setecentas pessoas compareceram ao serviço fúnebre pagão e
acompanharam o caixão por toda a cidade, carregando um banner que dizia:
"Trabalhistas mentiram, Barry morreu".
[1] tipo de cerveja especial, com 9,00% de teor alcoólico.
[2] técnica de bombardeamento destinada a prejudicar um alvo, geralmente uma zona urbana, através da utilização de incêndios causados por dispositivos incendiários, em vez de fazê-lo a partir do alto efeito de grandes bombas
[3] Polícia investigativa da Grã-bretanha.
[4] Órgão do governo britânico responsável pela ordem e segurança do país.
- Comentários
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|189.47.137.xxx |2009-07-28 18:08:20 Alexandre Soares Marques - ...se eu pego um fdp que nem esse Kevin Toolis...
-
|187.77.169.xxx |2009-10-01 02:41:23 Newton Nazareth - Como dizer as criancas?O que me chamou atencao no artigo foi o fato do "cientis ta" nao se
importar de explicar as suas criancas que el e era co-responsavel por incontaveis assassinatos, demonstra ndo que para a imensa maioria da
populacao, os animais sao apenas objetos descartaveis, usados em beneficio das tri
vial idades do ser humano.
Cada carnivoro/onivoro e co-responsav el pela morte dos seres que ele
ajudou a matar ao longo da vida. E o carma continua a aumentar...








